Ana Vilela faz primeira live no YouTube nesta quarta-feira.
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Ana Vilela fala sobre sua primeira live, critica ação do governo na pandemia e diz que ser antirracista “é obrigação”

É nesta quarta-feira (29), às 20 h, que Ana Vilela fará a sua primeira live no YouTube. É fato que outros artistas já vêm apostado nesse formato há alguns meses, mas a dona do mega-hit “Trem Bala” confirma que só agora se sente confortável o bastante e pronta para se apresentar desta maneira.

Segundo Ana, ela precisava de um propósito maior e não queria repetir o que já estava sendo feito. Em entrevista exclusiva para o POPline, ela nos contou que esse propósito chegou junto com o seu mais recente lançamento, “Amanhã”, releitura do clássico de Guilherme Arantes lançado em 1977, que ela canta ao lado de Ráae. “Vi que essa música tinha uma mensagem incrível,” disse ela.

Ana Vilela faz primeira live no YouTube nesta quarta-feira.
Ana Vilela faz primeira live no YouTube nesta quarta-feira. Foto: Divulgação.

Ana Vilela ainda nos adiantou alguns detalhes do que irá apresentar na live de hoje, falou também sobre ação antirracista que encabeçou em seu perfil no Instagram, a situação do Brasil na pandemia, o Grammy Latino e, é claro, sobre seu tweet a respeito do sucesso “Trem Bala” que deu o que falar!

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POPline: Por que você demorou tanto tempo pra fazer sua primeira live?

Ana Vilela: Eu queria fazer uma coisa com propósito, que fosse bonito de assistir, que passasse uma mensagem, sabe? Não queria mostrar mais do mesmo, então a gente acabou demorando muito tempo pra ter a segurança de falar “ok, acho que estamos prontos pra esse projeto”, e isso só aconteceu quando a “Amanhã” surgiu pra mim a convite da Prudential. Aí a gente viu que tinha uma mensagem incrível pra passar e um motivo muito nobre pra live acontecer, que é ajudar o Médicos Sem Fronteiras.

Além dos sucessos, o que você pretende mostrar de diferente nesta live?

A gente deu uma nova roupagem pras minhas músicas antigas, então o show tá com uma cara nova mesmo pra quem já viu. Além das músicas novas como a “Amanhã” e “Controle Remoto”, que eu lancei de uma maneira mega “não-oficial”, lá no meu Instagram!

Sabemos que você vai ter a participação especial da Ráae. Vocês regravaram “Amanhã”, do Guilherme Arantes, que é uma música muito positivista. Como você enxerga o cenário brasileiro diante da pandemia?

Acho que a “Amanhã” é tão necessária agora exatamente porque estamos vivendo um momento tão difícil que a alternativa mais confortável é tentar enxergar o que o futuro tem pra gente. É lamentável estarmos vivendo um cenário de pandemia, com mais de 80 mil mortos, e vermos o descaso do estado para com o povo. O Brasil também tem várias questões que já eram problema antes da pandemia e agora são mais evidenciados, como a violência doméstica, a falta de saneamento básico nas comunidades, o desemprego. É um período muito triste pro mundo, e acredito eu que especialmente triste pro Brasil.

Esse período de quarentena foi criativo pra você, de alguma maneira?

Foi, com algumas aspas! Risos! É um período de muita incerteza e medo, muito difícil manter a cabeça no lugar. Mas acho que a composição sempre acaba sendo minha válvula de escape, então acabei correndo pro violão algumas vezes sim.

Vimos que você abriu seu Instagram para a cantora Kynnie Williams para falar sobre oportunidades para o povo preto. O fato de você ter adotado tais práticas antirracistas interfere de que maneira em seu lado humano e artístico?

Sendo bem sincera e aplicando o que minha avó sempre disse pra mim quando eu fazia algo bom: não faço mais que minha obrigação! Risos! Tem certas pautas que pra mim não tem como não defender e não levantar bandeira. Racismo na minha concepção é o pensamento mais imbecil e retrógrado que um ser humano pode ter. Pessoas morrem, são marginalizadas, discriminadas, injustiçadas por um motivo tão inacreditável que não tem como não falar sobre isso. Quando toda a discussão sobre a luta antirracista veio à tona nos últimos meses, senti que devia usar minha voz como artista pra evidenciar essa luta e dizer porque nós, brancos, devemos lutar juntos e qual nosso papel. Como não é meu lugar de fala, convidei a Kynnie que é uma artista FANTÁSTICA e que eu admiro muito!

Falando sobre pessoas, vimos também que você fez um post questionando a existência do Grammy Latino. Se você é um artista croata ou tailandês, você concorre ao Grammy, mas os latinos não têm a mesma oportunidade na premiação norte-americana. Infelizmente é um bom exemplo de como a indústria fonográfica nos enxerga com menos prestígio, não acha?

Essas coisas passam pela minha cabeça, às vezes. É muito louco que tenhamos que concorrer em outra premiação sendo que o mundo inteiro participa da original. Lá fora a comunidade latina sofre um preconceito inacreditável. Não tenho muito estudo sobre o assunto, mas é uma coisa que não é difícil enxergar. Triste demais.

E não tem como não perguntar sobre o tweet que você fez sobre “Trem-Bala” no fim do mês passado. Você acompanhou a repercussão deste seu post?

Esse tweet é provavelmente o fenômeno mais engraçado que já aconteceu na minha carreira. Lidei por anos com o hate exagerado das pessoas. Já cheguei a ver “Trem-Bala” nos assuntos mais comentados do Twitter e me prometer que não abriria a tag pra ver os comentários, porque me fazia tão mal que eu não estava disposta a passar por isso. E aí do nada eu faço um tweet debochando desse hate, depois de muita terapia pra entender que rir desse freak show é o melhor que dá pra fazer, e ele tem essa repercussão toda. É muito louco. Falei sobre isso no Twitter mesmo, se eu soubesse que era disso que eu precisava pras pessoas olharem pro meu trabalho e dizer “não gosto do teu trabalho, mas depois dessa eu respeito” (como váaaaaarias pessoas disseram), eu teria feito o tweet antes! Risos!

Escrito por Mari Pacheco

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