Fãs e haters de Katy Perry brigam diariamente nas redes por conta de “Chained to the Rhythm”: afinal, a música fracassou ou não fracassou? Lançado há dois meses, o single está no Top 15 das principais paradas internacionais – o que é difícil dizer que seja um “flop” – mas não se compara com o patamar ao qual a popstar acostumou seu público. Entre 2010 e 2011, por exemplo, Katy colocou cinco músicas do mesmo álbum no topo da Billboard Hot 100, algo que só Michael Jackson fez antes. Desde então, quando ela lança algo, os fãs esperam sedentos por um nº1. Quando ele não vem, é a torcida contra que comemora.

Definir “Chained to the Rhythm” como flop, porém, é um tanto precoce. Fracasso é algo definitivo, e a música ainda trilha seu caminho. Nesta semana que se encerra, foram comercializadas mais 237 mil cópias mundialmente, entre streams e downloads. O single se encontra em 4º lugar no ranking global, atrás apenas de “Shape Of You” (Ed Sheeran), “Influencer” (Nogizaka 46) e “Something Just Like This” (The Chainsmokers & Coldplay). Já foram vendidos quase 1,5 milhão de downloads da canção mundialmente.
Nesta semana, a faixa subiu do 17º para o 11º lugar na parada britânica – onde já passou pelo Top 5 – e saltou do 19º para o 13º lugar na parada americana. Na Hot 100, aliás, já chegou ao 4º lugar – sonho de muitas cantoras. Já é a melhor posição de Katy no ranking desde “Dark Horse”, que foi nº1 por quatro semanas em 2013. É o 14º single da americana a alcançar o Top 10 nos Estados Unidos.
– Três milhões de streams em 24 horas no Spotify
– 14,7 milhões de streams na semana de lançamento nos Estados Unidos
– 108 mil downloads na semana de lançamento nos Estados Unidos
– 152,5 milhões de visualizações no clipe em seis semanas na VEVO
– Top 5 em cerca de 15 países, incluindo Estados Unidos e Reino Unido
– Certificado de platina na Austrália
– Certificado de ouro no Canadá, na Itália e na Nova Zelândia
“Chained to the Rhythm” é uma composição de Katy Perry em parceria com Sia e os produtores Max Martin e Ali Payami. Para essa música, Katy apostou no dancehall, convocou uma participação do jamaicano Skip Marley (neto de Bob Marley) e investiu na temática sociopolítica. Ela não queria fazer uma música para as pistas de dança enquanto o mundo estava desabando. O lançamento do single se inspirou na vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, o que deixou a cantora frustrada. “O processo criativo foi um bom exercício sobre escrever uma música que, na primeira ouvida, é realmente divertida, mas a medida que você se envolve com ela, percebe o subtexto diferente”, explica a popstar. Em suas performances televisionadas e no clipe, ela usa uma série de analogias e metáforas para passar sua mensagem.
Katy, então, sabia que não estava entregando um novo “Roar”, “Firework” ou “Last Friday Night”. Ela não queria entregar um #1 certeiro, e ela domina a fórmula de como criar um desses. Se o público esperava um desempenho comercial melhor, porque estava acostumado a tal, talvez esteja em descompasso com a necessidade criativa da artista no momento – para além das posições nas paradas. “Chained to the Rhythm” não pode ser chamado de flop com tais números. É só que Katy habituou o mundo a uma máquina de sucessos indiscutíveis, e agora abriu o espaço para o debate.