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A Fábrica: Madonna e o seu legado fase por fase.

O Início

Madonna nasceu 13 dias antes no mesmo 1958 em que Michael Jackson nasceu. Ela só chegaria ao estrelato, porém, com o seu álbum debutante “Madonna” (1983), que emplacou grandes hits como “Lucky Star” (que chegou a #1 no Hot 100 Billboard), “Borderline” (atingiu #10) e “Holiday” (chegou a #16). O álbum demorou um ano inteiro para chegar à posição #8 do Billboard 200 (ranking de álbuns da Billboard), mas teve definitivamente um impacto que o certificou cinco vezes disco de platina nos EUA, e uma vez no Reino Unido. Em 2001, a Billboard declarou em sua revista “Quase 20 anos após o lançamento de ‘Madonna’, faixas como ‘Holiday’, ‘Physical Attraction’, ‘Borderline’ e ‘Lucky Star’ ainda são irresistíveis”.

Um ano depois, Madonna se consagrou na indústria da música com o álbum “Like A Virgin”, que trouxe a música de mesmo nome que ainda hoje é tocada repetidamente em filmes, TV, eventos, etc. Mas além da faixa “Like A Virgin” (#1 absoluto na Billboard por 19 semanas), o álbum ainda emplacou “Material Girl” (alcançou o #2), “Angel” (chegou a #5), “Love Don’t Live Here Anymore” (estancou em #78) e “Dress You Up” (que também chegou a #5).

“Like A Virgin” foi um álbum que definiu a Madonna para sempre como provocativa. As faixas “Material Girl” e “Like A Virgin” se tornaram hinos femininos, a colocando como voz central dentre as mulheres meio-devassas-meio-santinhas. “Material Girl”, aliás, serviu de transição para que Madonna tomasse o lugar antes ocupado por Marylin Monroe, como símbolo sexual feminino universalmente reconhecido. O clipe desta música tem inúmeras referências à Marylin, que faleceu em 1962 como um dos maiores ícones de cultura pop da história.

Dois anos depois do grande sucesso do álbum “Like A Virgin”, Madonna lançou “True Blue” como sucessor com a grande responsabilidade de emplacar novos hits dançantes e hinos de sua geração. Em torno de muita polêmica, o álbum trouxe a faixa “Papa Don’t Preach”, consagrado como hino de rebeldia adolescente em seu tempo, e causou muito barulho para os anos 1980. Em apenas dois meses, o álbum chegou a #1 no chart de álbuns da Billboard. Os singles “Papa Don’t Preach”, “Open Your Heart” e “Live To Tell” chegaram a número um no Hot 100 da Billboard, um recorde de três #1 na carreira da Madonna até então, e o álbum ainda emplacou as músicas “True Blue” (#3) e “La Isla Bonita” (#4).

Dizer que “True Blue” consagrou a fase inicial da Madonna é perigoso, porém necessário. O sucesso de “Madonna” e “Like A Virgin” teria sido ignorado se o terceiro álbum não tivesse emplacado, assim como vemos todos os anos acontecendo com diversos artistas. O sucesso do álbum, porém, deu a liberdade criativa para que Madonna pudesse explorar novos campos, temas e limites.

O Reinado

O seu quarto álbum de estúdio, “Like A Prayer” (1989), foi recebido pela crítica como álbum de maior consistência da cantora. O álbum começa com a faixa-tema “Like A Prayer” (#1 na Billboard), uma das músicas pop mais polêmicas de todos os tempos por causa de seu clipe queimando a cruz, e passa por águas anteriormente exploradas como a valorização da mulher, em “Express Yourself” (chegou a #2), e grandes romances, em “Cherish” (também alcançou o #2). Do mesmo álbum, a música “Keep It Together” chegou a #8 no Hot 100 da Billboard, e “Oh Father” chegou a #20.

“Oh Father”, inclusive, contou a história de abuso infantil. O vídeo desta faixa marcou a volta da parceria de Madonna com David Fincher, que havia dirigido o vídeo sucesso de crítica de “Express Yourself”.

“I’m Breathless”, sucessor do “Like A Prayer”, trouxe a música-hino da indústria da moda, “Vogue” (#1 por 24 semanas na Billboard), talvez a faixa maior sucesso comercial de toda a carreira da Madonna. Apesar de só ter emplacado uma outra música, “Hanky Panky” (#10 na Billboard), o álbum em si valeu a pena pela faixa e clipe de “Vogue”.

Seu sexto álbum de estúdio foi “Erotica”, que teve uma performance menos intensa nos rankings de música, mas que teve um legado muito maior do que as posições de suas faixas. O álbum foi apenas um dos três projetos de tema sexual que Madonna lançou. Em conjunto, também veio o livro (sucesso de vendas) “Sex” e o filme (desastre de bilheteria) “Body of Evidence”.

A fase de “Erotica” foi a primeira vez que Madonna teve diversas críticas negativas dizendo que ela tinha ido longe demais. O filme “Body of Evidence” tem cenas da cantora completamente nua, o livro “Sex” traz fotografias que, de acordo com a crítica, incitam o sadomasoquismo, e o álbum em si trata de sexo constantemente.

Na contramão, porém, Madonna lançou uma de suas baladas mais conhecidas, a romântica faixa “Rain”.

“Bedtime Stories”, seu próximo álbum, também não foi muito longe nos rankings da Billboard. Além de “Take A Bow”, que chegou a #1, e “Secret”, que chegou a #3, esperou-se mais da já aclamada ‘rainha do pop’. Os outros singles do álbum – na minha opinião, os principais – “Bedtime Story” e “Human Nature”, esfriaram em #42 e #46 (consecutivamente) no Hot 100 da Billboard.

“Human Nature” foi uma resposta à toda a crítica por trás do “Erotica”, com versos como “Eu não sabia que não podia falar sobre sexo / Isso é natural do ser humano”. Já “Bedtime Story” foi uma faixa escrita pela talentosíssima Björk, e prometia ser um grande sucesso para os anos 1990, tanto que estampou o nome do álbum.

Em 1998, Madonna lançou “Ray Of Light”, que repetiu a performance de seus antecessores em termos de vendas e faixas que emplacaram. Dentre os singles, “Frozen” atingiu o #2, “Ray Of Light” chegou a #5, “The Power of Good Bye” encostou em #11, e “Nothing Really Matters” parou em #93. Nos Grammy’s, recebeu seis indicações (incluindo Melhor Álbum do Ano) e ganhou quatro (incluindo Melhor Vocal Pop).

Dois anos depois, com o álbum “Music”, apenas a faixa de mesmo nome e “Don’t Tell Me” ficaram entre as 10 músicas mais tocadas do chart da Billboard. O álbum foi, porém, indicado a cinco Grammy’s. Levou apenas o prêmio pela apresentação visual do álbum.

E aí veio “American Life” (2003), o álbum de maior barulho da Madonna do novo milênio, apesar de ter apenas tido “Die Another Day” (#8) e a faixa de mesmo nome do álbum (#37) no Hot 100 da Billboard.

“American Life” resgatou tudo aquilo que Madonna tinha deixado de lado desde “Erotica”. Tratou de temas polêmicos com faixas extremamente pop e redondas, criticando o sonho americano e trazendo de volta a atitude polêmica que a fez famosa. Tudo isso veio acompanhado de “Die Another Day”, faixa que Madonna produziu para um filme do agente secreto 007.

O Desconhecido

Madonna resolveu invadir as boates com tudo em 2005, lançando o álbum “Confessions On A Dance Floor”, que emplacou “Hung Up” em número 7 e “Sorry” em número 58 do chart da Billboard. “Hung Up”, aliás, usou o hook de “Gimme! Gimme! Gimme!”, uma música antiga do grupo ABBA.

De volta em “Hard Candy”, em 2008, Madonna conseguiu colocar “4 Minutes” em #3 e “Give It To Me” em #57 no Hot 100 da Billboard. O álbum teve uma grande participação em termos de produção do rapper Timbaland.

Quatro anos depois, Madonna lançou “MDNA”, que até agora apenas emplacou “Give Me All Your Luvin’” em #10 na Billboard.

Conclusão: questão de opinião

É fato: Madonna não conseguiu emplacar mais de duas músicas de um mesmo álbum no Hot 100 da Billboard desde 1998 (quatorze anos). Engatando uma parceria na outra, desde Britney Spears em 2003 com “Me Against The Music”, à Justin Timberlake e Pharrell para o álbum “Hard Candy”, até Nicki Minaj em duas faixas de “MDNA”, a prática de pular de galho em galho que a Madonna resolveu adotar está machucando a carreira da Rainha do Pop.

Estava assistindo ao reality show American Idol nesta última Quarta-feira (28), e os participantes fizeram mashups de músicas do Michael Jackson e Madonna. Ao apresentar o mashup do MJ, Ryan Seacrest (apresentador do American Idol, uma das maiores personalidades do mundo do entretenimento americano) exclamou: “Michael Jackson, o rei do pop”. Ao introduzir a apresentação do mashup da Madonna, ele foi cuidadoso e não a chamou de “rainha”. Britney Spears, que sempre fora colocada abaixo de Madonna (princesa e rainha do pop, respectivamente), ganhou um tributo especial no VMA de 2011 pela sua contribuição à música no passar dos anos. A homenagem foi de muita relevância, pois não é sempre que um artista é reconhecido por seu trabalho conjunto antes de ter falecido.

Oprah, a maior apresentadora de televisão dos EUA, sempre fora uma grande amiga profissional de Madonna. Nas comemorações de seus aniversários, Madonna era sempre figurinha carimbada nos programas. Só neste ano, Oprah já lançou a Born This Way Foundation com Lady GaGa, e fez questão de fazer um programa especial de duas horas entrevistando a ‘mother monster’ em seu novo canal OWN. Nada de Madonna. Ano passado Lady GaGa foi convidada pelo Google para uma longa entrevista em sua sede, parceria que ocasionou até um comercial para a empresa não muito tempo depois. Para promover MDNA, Madonna foi na contramão e apostou no Facebook e Twitter (uma estratégia inteligente, já que há muito mais pessoas nessas lugares). Porém, a entrevista no Facebook passou rápido e, no Twitter, a conta da cantora foi até bloqueada temporariamente pelo excesso de tweets.

A volta de William Orbit (produtor de “Ray Of Light”) no “MDNA” fez todo mundo achar que Madonna finalmente iria deixar as pistas e voltar para um som mais calmo. Errado. A cantora apostou em faixas post-dubstep, faixas inspiradas num antigo som do Depeche Mode, e ainda trouxe de volta (de novo!) o hook de “Gimme! Gimme! Gimme!” do ABBA (e “Hung Up”, dela mesma) para “Love Spent” do “MDNA”. E as semelhanças não param por aí: “Superstar” lembra demais “Hello”, do DJ Martin Solveig (que também produziu “MDNA), e “Beautiful Killer” lembra a faixa que Madonna produziu para “007 – Die Another Day”.

Madonna continuará lotando shows e sempre terá um público fiel para chamar de seu, mas uma (altamente esperada) renovação se vê cada dia mais distante para a rainha do pop. O título dificilmente lhe será tirado, pois o seu legado é incrível e uma aula de música pop para todos aqueles que estão começando. Gostaria, porém, de ver um ponto final na estratégia de achar que as parcerias estão ajudando. Britney Spears, Justin Timberlake, Pharrell, Timbaland, LMFAO, M.I.A e Nicki Minaj estão, na verdade, se ajudando com estas parcerias. Madonna nunca seguiu tendências em todo o curso de sua carreira. Por que agora, então?

Madonna voltará a ser Madonna quando voltar a ser simplesmente Madonna. E “MDNA” está longe disso.

Escrito por Bernardo Sim

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