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10 popstars que são tema de dissertação de mestrado no Brasil

Música pop é assunto sério. Você sabia que diversos artistas são temas de dissertação de mestrado no Brasil? É verdade: Madonna, Lady Gaga, Michael Jackson e também Anitta, Ivete Sangalo e Valesca – entre tantos outros! – são nomes pesquisados em universidades de diferentes partes do país. Tem muita gente se tornando mestre dissertando profundamente sobre o universo pop. Confira dez dissertações dos últimos anos:

“Dependência midiática como ferramenta de pesquisa e processo comunicacional: o caso Anitta” (leia aqui)
De autoria de Amanda Valentini Borges Bueno.
Mestrado em Comunicação e Linguagens – Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).
Resumo: A partir de estudo de caso e apanhado teórico esta pesquisa aborda a dependência midiática exercida diante do sujeito artista, enquanto produto, que aqui será analisada a partir da carreira da cantora brasileira Anitta. Sendo assim, será feita uma análise dos elementos representacionais que a constituem como artista e como pessoa. A questão travada neste estudo é de como este sujeito se apresenta como dependentede suas próprias construções imagéticas diante dos veículos comunicacionais e seu público. Este trabalho tem como problemática central o artista como sujeito célebre, e sua conduta, que remete à dependência da exposição de sua imagem para manter-­se em foco. Também como o artista tem constituído sua representação neste contexto midiático. Foi executado um apanhado bibliográfico sobre os conceitos de mídia, celebridade e dependência, tendo como metodologia um estudo de caso com base em análise teórica empírica. Teóricos como Marilena Chauí, Edgard Morin, Erving Goffman, Frédéric Martel, Cesare Guerreschi, Chris Rojek e Lúcia Santaella, ajudarão a compreender o estrelato, a mídia, o sujeito célebre, e propõe os artistas como dependentes de sua imagem construída na mídia, para manutenção do sucesso. Perpassando pelos estudos e levantamentos, evidências sugerem a ocasião da dependência midiática, como fenômeno, ferramenta de pesquisa e processo comunicacional.

“A gestão de ídolos pop em tempos de transição da indústria musical: os estudos de caso da axé music e das performances musicais de Ivete Sangalo” (leia aqui)
De autoria de Thiago Ramires da Costa.
Mestrado em Comunicação – Universidade Federal do Rio de Jaeiro (UFRJ).
Resumo: Esta dissertação debruça-se sobre os novos modelos de gestão de ídolos pop em meio ao cenário de transição da indústria da música, com base em um estudo de caso do gênero musical Axé music enquanto promotor de um sistema de estrelas próprio e analisando performances musicais da cantora brasileira Ivete Sangalo. O objetivo central é compreender como as performances da intéprete funcionam para a sua permanência no mercado da música massiva e do entretenimento e a sua relação com a sobrevivência da axé music no mainstream. O trabalho analisa sete performances musicais, sendo três shows ao vivo (pesquisa de campo) e quatro registros de shows em DVD, buscando os operadores de sentido e redutores metafóricos utilizados para a composição da popstar Ivete Sangalo e para a gestão de sua imagem.

“Corpos brancos, música negra: uma tentativa de definição de que negra é essa cantada por Valesca Popozuda” (leia aqui)
De autoria de Viviane Faria Soares.
Mestrado em Relações Étnico-Raciais – Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET).
Resumo: Por meio de reflexões promovidas por pesquisadores como Denise Garcia, Roberto Borges, Adriana Facina se apresenta a percepção de como alguns segmentos dentro do universo acadêmico-científico e também dentro da militância apresentam algumas identificações entre o discurso do Funk e do discurso feminista. Neste sentido, existem duas questões principais que este estudo visa discutir, dentro desse campo já existente: 1) a primeira questão que existia desde o início da pesquisa seria lançar um esforço inicial para “identificar que ethos são construídos na voz de Valeca Popozuda, verificando a popularidade destes ethos, e conferindo ainda os limites da identificação deste ethos discursivo com o ethos discursivo feminista”; 2) e a segunda questão, que surgiu no decorrer da pesquisa, seria “Porque o universo acadêmico-científico e também a militância feminista identificam o discurso visto no funk performado por mulheres com o discurso feminista?”. O instrumental teórico-metodológico o olhar sociológico, antropológico e político partindo da perspectiva do feminismo e do movimento negro, lançando assim mão também da perspectiva racial, o que permite a verificação de interseccionalidades. Neste sentido, três fundamentais conceitos precisam ser apresentados ainda que apenas de forma preliminar, estes são o ethos, o feminismo e a interseccionalidade. O ethos dentro da perspectiva antropológica é paradoxal, porque ao mesmo tempo em que se sustenta sobre uma visão de mundo é ele que oferece sustentação a esta ao reforça-la em reproduções. O feminismo, por conta de suas múltiplas correntes, se torna um movimento não tão facilmente reconhecível / definível. E a noção de interseccionalidade é a tentativa de reflexão sobre as opressões que se surgem da intersecção de fatores diversos como raça, gênero, classe e sexualidade. O título “Corpos brancos, música negra: Uma tentativa de definição de que negra é essa cantada por Valesca Popozuda”, denota o interesse desta pesquisa em identificar dentro das ethos emanados nas músicas analisadas se as auto-representações femininas vistas na voz de Valesca de fato se encaixam nas auter-representações emitidas pela visão destes segmentos. Ao mesmo tempo em que busca abordar a noção de máscaras brancas de Fanon e a sexualização da mulher negra através das letras desta artista e também da sua imagem.No final espero encontrar as bases que levam alguns segmentos da academia e da militância a classificar Valesca como feminista e assim trazendo como resultados esperados a possibilidade de identificar o valor que o reconhecimento desta artista como parte deste movimento pode se apresentar como estratégico e vantajoso para o movimento.

“Dinâmicas audiovisuais nos Encontros com Justin Bieber” (leia aqui)
De autoria de Raphael Silva Pinto.
Mestrado em Mídia e Cotidiano – Universidade Federal Fluminense (UFF).
Resumo: A pesquisa tem como foco investigativo as dinâmicas audiovisuais cotidianas construídas em torno de uma fase do percurso profissional do cantor canadense Justin Bieber, a partir da circularidade de suas fotos e vídeos na internet, especialmente no Instagram. Assim, como procedimento metodológico, destacou o documentário Never say Never (2011), cuja narrativa é apresentada como biografia de Justin Bieber, investigando os processos de identificação e imbricamentos entre os aparentemente distantes dois mundos: o da celebridade e dos que o cultuam. A problematização se configura a partir do instante em que os fãs do cantor parecem, a priori, não superar a transição ocorrida no perfil identitário do ídolo e passam a arquivar montagens fotográficas datadas no Instagram. As fotografias compartilhadas são entendidas como encontros narrativos e molduras imagéticas que pronunciam o componente midiático ao gênero biográfico tradicional, permitindo, assim, um interstício nas possíveis leituras sobre as trajetórias vitais das celebridades na contemporaneidade. Nesta perspectiva, buscam-se teorizações para compreender as necessidades imaginárias e as experiências do sujeito com a vida célebre. Sustentam as análises e reflexões desta pesquisa os trabalhos de Mikhail Bakhtin, Edgar Morin, Douglas Kellner, Muniz Sodré e Thiago Soares. Tal percurso traduziu-se na tentativa de elucidar diagnósticos que se somem aos estudos que já entendem o quanto é urgente, hoje, discutirmos as abordagens da cultura do entretenimento.

“Comunicação, Recepção e Consumo: suas inter-relações em Rebelde-RDB” (leia aqui)
De autoria de Fernanda Elouise Budag
Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo – Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Resumo: O objeto de estudo desta dissertação são as inter-relações recepção/consumo na telenovela Rebelde e banda RBD, investigando a influência deste produto da cultura da mídia (Rebelde-RBD) no processo de formação das identidades dos jovens. Destacam-se as questões relacionadas à produção de sentidos, apropriações e reapropriações, construção de representações sociais, as quais ocorrem no processo de recepção e interferem na constituição desses jovens enquanto sujeitos. Abordam-se as práticas de consumo que envolvem a interação entre as esferas materiais e simbólicas, destacando as singularidades que RebeldeRBD promove nessas práticas: percebe-se uma extensão, um certo privilegiamento do pólo do simbólico relacionado ao material. A pesquisa buscou identificar quais as valorações que o público infanto-juvenil atribui ao consumo material atrelado ao simbólico e, sobretudo, quais os pontos que os jovens destacam como motivadores do imperativo que se percebe, no caso específico desse produto de mídia, existir com relação à aquisição dos objetos referentes à telenovela e à banda e qual o resultado concreto desse movimento de recepção/consumo na formação das identidades dos sujeitos.

“O discurso estético de Lady Gaga na contemporaneidade” (leia aqui)
De autoria de Douglas Bianchini.
Mestrado em Comunicação – Faculdade Cásper Líbero.
Resumo: A presente pesquisa tem por objetivo o estudo da estética em Lady Gaga levando em consideração sua ação performática em função de minorias e critica aos conteúdos midiáticos que nos cercam. Para tanto, a primeira etapa da pesquisa está dedicada à definição e exemplos do conceito de monstro. Monstros ameaçam, suas potencialidades são destruidoras, por isso corporificam e causam medo, horror e demarcam os espaços fronteiriços do que é possível à experiência humana. Isto posto, servem como base para exemplificar e discutir o discurso político e a existência midiática da cantora na contemporaneidade. A monstruosidade está no fato de Lady Gaga (persona e personagem) ser capaz de habitar a fronteira tensionada entre o real e o simulacro, o belo e o grotesco, o humano e o monstruoso. Ela nos serve, ao mesmo tempo, para confirmar normas, enquanto delas distantes; e questioná-las, enquanto faz parte delas. E assim, a cantora faz parte e é agente do simulacro, onde a estética, como teoria geral de uma sedução poderosa e de um poder sedutor, toma o lugar da política ideológica. Por fim, partindo da discussão teórica a partir do conceito de monstro, serão propostas breves (re)leituras dos videoclipes: Paparazzi e Bad Romance.

“A fabricação do ídolo pop: a análise textual de videoclipes e a construção da imagem de Madonna” (leia aqui)
De autoria de Rodrigo Ribeiro Barreto.
Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporânea – Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Resumo: A trajetória videográfica de Madonna, iniciada há mais de 20 anos, confunde-se com o próprio desenvolvimento do videoclipe, cuja consolidação aconteceu também a partir dos anos 1980. Desde então, a contínua popularidade da artista deu a ela e a seus colaboradores respaldo para executar inovações tanto estilísticas quanto temáticas neste formato. A artista adotou os clipes como mais um desdobramento de seu trabalho artístico e como ferramenta para a construção ou a fabricação de sua imagem pública. Esta dissertação foi guiada pelo propósito de analisar videoclipes, considerando-os como obras expressivas passíveis de serem compreendidas tanto em abordagens voltadas para o deslindamento de sua organização interna quanto no seu funcionamento como instrumentos efetivos no processo de construção de imagem de Madonna. O trabalho apresenta o resultado da aplicação de uma metodologia de análise sobre um corpus de 18 (dezoito) clipes representativos do percurso videográfico da artista. Foram incluídas obras correspondentes a canções de todos os álbuns da cantora e, desse modo, de todas as suas fases criativas. Esta abordagem analítica textual foi desenvolvida e aplicada no grupo de pesquisa Laboratório de Análise Fílmica, coordenado pelo Prof. Wilson Gomes, e procurou identificar: a) os elementos primordialmente manipulados em cada obra, b) os modos de organização interna destes elementos e c) os tipos de efeitos programados na obra e por ela suscitados. Com base na familiaridade conquistada no contato com toda a videografia de Madonna e de posse dos resultados da abordagem individualizada dos videoclipes selecionados, foi avaliada a recorrência de certos elementos – temáticos, cênicos, imagéticos, musicais, narrativos e coreográficos – de uma obra para a outra, procurando identificar a relação destes achados com diferentes conceitos ou pressuposições que nortearam e norteiam
as impressões a respeito de Madonna. A imagem da artista está associada à versatilidade, ao amplo controle criativo do seu trabalho, à verve polêmica e à habilidade de reinventar-se através de apropriações diversas, assunção de diferentes personas artísticas e os mais variados arquétipos.

“Horror cinematográfico e experimentação de Michael Jackson na música pop e no videoclipe” (leia aqui)
De autoria de Rafael Gonçalves Teixeira.
Mestrado em Comunicação – Universidade Municipal de Sâo Caetano do Sul (USCS).
Resumo: Esta dissertação tem como objetivo analisar a utilização de elementos do gênero horror cinematográfico na obra de Michael Jackson como experimentalismo no videoclipe dentro do campo da música pop. Para estudar o tema, foram escolhidos dois trabalhos audiovisuais do cantor norte-americano Michael Jackson – Thriller (1973) e Michael Jackson’s Ghosts (1997). Para compreender os tipos de experimentação e inovação causados pela introdução de elementos do gênero na produção de videoclipes, partimos da seguinte pergunta-problema: de que forma o horror cinematográfico foi utilizado como campo de sentido para experimentação e inovação na obra audiovisual de Michael Jackson dentro da cultura da mídia? Para tanto, a pesquisa levantou exemplos do uso do horror (morte, sobrenatural, paranormalidade, medo e monstros) em produtos como filme, games e programas de televisão; observou o deslocamento dos elementos de horror dentre os limites dos textos que compõem a semiosfera na qual a canção e o clipe atuam; e buscou ampliar o entendimento sobre a música pop como importante fenômeno semiótico contemporâneo, contrapondo análises que a caracterizam como rasa e efêmera. Após conceituar o campo da cultura da mídia e os produtos midiáticos música pop e videoclipe, foram pesquisadas a biografia de Michael Jackson, que ajudou a compreender o papel do cantor na indústria cultural, e sua produção, mapeando canções e vídeos que utilizassem o macabro como ferramenta de criação. Os dois vídeos selecionados foram analisados com base na Semiótica da Cultura, fundamentada por Iúri Lótman. A pesquisa engloba conceitos de cultura, semiótica, música, Estudos Culturais e filmes de horror. Os aspectos experimentais encontrados como inovação foram: o uso do horror como forma de humor dentro da trama; o videoclipe extrapolando a canção, não só em duração, mas como história autônoma; a música como meio de modelização dos elementos e das criaturas, transitando entre o horror, o fantástico e a realidade; e, por fim, a manipulação dos sentidos entre o bem e o mal.

“Alguém como Adele: análise semiótica de uma seleção de canções do álbum 21” (leia aqui)
De autoria de Noelia Luisa Neves Lobos.
Mestrado em Lingüística – Univerdidade de Franca (UNIFRAN).
Resumo: Adele ganhou reconhecimento mundial após lançar suas canções na Internet; em seguida assinou contrato com a gravadora XL Recordings e começou o processo de criação de uma nova coletânea de músicas. Depois de algum tempo nasceu 21, álbum constituído de onze canções sobre uma pessoa só: seu ex-namorado. Partindo da organização em que as canções se encontram neste álbum, nosso objetivo é, nessa pesquisa, analisar as transformações do sujeito narrativo e passional. A organização de canções que o CD apresenta propõe um percurso narrativo em que é possível identificar as manipulações, a aquisição de competência, a performance e a sanção, presentes no nível narrativo, e que possibilita, também, observar o percurso passional do sujeito de alma, destacando as paixões da cólera, do ciúme, da nostalgia e da angústia, especificamente. Para tanto, partindo da fundamentação teórica da semiótica de linha francesa de Algirdas Julien Greimas, identificamos a completude dos percursos propostos pelo álbum, através da análise das letras de quatro canções selecionadas: Rolling in the Deep, Rumour has It, One and Only, e Someone like You, e pudemos comprovar que relacionando elementos da semiótica da canção, com a semiótica das paixões e com a semiótica narrativa, o álbum 21 pode ser analisado como um todo.

“Questões de identidade no hip-hop norte-americano: Um estudo da banda Black Eyed Peas” (leia aqui)
De autoria de Marcela Marques Fortini.
Mestrado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês – Universidade de São Paulo (USP).
Resumo: Esta dissertação investiga o processo de formação da identidade, através do trabalho artístico/musical da banda de hip-hop norte-americano: Black Eyed Peas, formada na década de 80, nos Estados Unidos da América. Essa investigação diz respeito às questões de identidades discutidas pela temática do hip-hop, bem como a releitura que esta banda apresenta de elementos tidos como essenciais no gênero em questão. Ainda, visa uma maior compreensão da problemática envolvida na obra artística popular e racial e sua relação com a teoria de massa, para à partir daí, analisar seu potencial de resistência, de criatividade e de protesto.

Escrito por Leonardo Torres

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